14 dezembro 2007

Quer Matar Um Elefante?


Por :Walter Falcetta, Jornalista

Festas, uísque e troféus para os "valentes" exterminadores de elefantes

O site na Internet ensina como fazer: "quando encarar o elefante, basta um disparo de grosso calibre um pouco abaixo do centro dos olhos; se estiver de lado, mire entre o olho e ouvido, ou diretamente na cavidade auricular". Numa época em que as mídias destacam as operações preservacionistas de entidades como o WWF, multiplicam-se as agências especializadas em promover safáris para ricos entediados do chamado Primeiro Mundo. Por menos de US$ 20 mil, é possível passear na savana, bebericar um bom uísque e abater com total segurança um paquiderme de quatro metros de altura e cinco toneladas.

Pacotes de aventura "família" como esses são vendidos pela Internet, em sites como o http://www.safaribwana.com/ANIMALS/animpages/elephant.htm . Ou seja, para acabar com uma "besta", conforme anuncia a homepage de Safaribwana, basta chamar o Pete, em Denver, no Colorado, nos Estados Unidos, pelo telefone 720-277 1920. Ele aceita qualquer cartão de crédito. Quer dizer que assassinar esportivamente um elefante tem preço, ao contrário de outros prazeres anunciados na publicidade do Visa. diz

Outras empresas, como a African Sky Hunting ( http://www.africanskyhunting.co.za/trophies/elephant-hunting.html) , apresentam uma lista completa de serviços de extermínio esportivo na África. A empresa oferece a assessoria de um caçador profissional e também os serviços do taxidermista (empalhador), caso o turista queira levar o animal abatido (ou parte dele) para casa. Por US$ 385 se mata um impala. Por U$ 1.150, uma gazela. Leopardos, leões e rinocerontes têm preços a negociar.

Vários governos africanos vêm facilitando o desenvolvimento, legal ou ilegal, desse grande negócio. Países pobres e dizimados por guerras, como Angola, Moçambique e Botsuana franqueiam a entrada desses agentes do turismo da morte. No caso dos elefantes, mantêm-se o tráfico de marfim, formalmente proibido pela maior parte dos países do continente. Do ponto de vista "ecológico", há um argumento: em alguns países, os elefantes estariam destruindo plantações e atentando contra a vida humana.

De acordo com entidades conservacionistas, o comportamento violento de alguns animais tem sido resultado justamente da agressão humana e do modo capitalista de produção. O abate de mães e matriarcas de grupos cria grupos de elefantes jovens traumatizados que, sem o exemplo das veteranas, perdem a oportunidade de aprender a desenvolver laços de sociabilidade com seus iguais e com indivíduos de outras espécies. A derrubada acelerada das matas nativas também tem contribuído para diminuir as fontes de alimento, acirrando a competição entre animais e humanos.

Dados da AZA Elephant Conservation mostram que há 25 anos a população de elefantes africanos era de 1.6 milhão de indivíduos. Hoje, estima-se que esse número seja inferior a 500 mil. O estudo chega a espantosa conclusão de que a população de elefantes diminui em cerca de 100 indivíduos a cada dia . Em Angola, em menos de 20 anos, a população de elefantes caiu de 5 mil para menos de 270 indivíduos. O número de elefantes asiáticos caiu a menos da metade nesse mesmo período. Estima-se que hoje existam apenas 30 mil indivíduos, espalhados por alguns países.

Conservacionistas alegam que a extinção dos elefantes causará enormes impactos nos ecossistemas africanos. Ao percorrer longas distâncias, os paquidermes adubam o solo e espalham sementes por diversas áreas, garantindo a manutenção da biodiversidade da flora. Além disso, abrem canais de acesso à água, especialmente em áreas secas, que permitem a sobrevivência de inúmeras outras espécies.

Recentemente, o WWF iniciou uma campanha para tentar salvar o elefante pigmeu de Bornéu. Em seu apelo na Internet ( https://secure.worldwildlife.org/ogc/ogcAC_speciesDetail.cfm?gid=28), ainda no ar, a organização afirmava que restavam apenas 1.600 indivíduos dessa sub-espécie. Um censo concluído recentemente, entretanto, mostrou que há o número de sobreviventes à caça e às mudanças ambientais é inferior a mil.

3 Comments:

Anonymous CresceNet said...

Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.

6:36 PM  
Blogger Seu said...

Este comentário foi removido pelo autor.

2:22 AM  
Anonymous Anônimo said...

Seu desgraçado, você com esse site está ajudando as pessoas a praticarem um ato de covardia.
¬¬

2:26 AM  

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